terça-feira, 4 de outubro de 2011

Lua

Início de primavera
é tempo de cor.
E eu, quieta,
vejo a lua me sorrir enquanto cresce.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Falar, somente, não significa nada
quando a fala não vem acompanhada
da segurança presente
no tremor da palavra

sau-da-de.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Verdadeiro

Se não mais acreditar,
desculpe.
Não é que faça de mim sagaz
ou que eu queira saber demais
o que ninguém, de fato, escondeu

Eu moro na rua da lamúria.
Eu vivo sempre à procura.
Eu quero mais demais.

E, se achar o que digo exagero,
lembre que aqui, onde encontra aconchego,
reside o medo,
a falta e o desejo
de ser verdadeiro

terça-feira, 17 de maio de 2011


Desprendeu-se, enfim, o botão da roupa.
À mostra, o corpo e a vergonha.


imagem: kurt halsey

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Disparo à maldade

Se disser saber
que vale à pena,
então,
deixa ser o que quiser.
Que, de suspeita,
a gente faz rio, mar.

Mas, sendo semente de medo,
egoísmo e coisas vis,
visto-me de saudade e
disparo à maldade:
vá pra bem longe de mim

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desamor

Há quem reclame

Da falta de ser amado.

Mal sabem eles, ingênuos,

Que, ruim mesmo,

É não amar


Porque não amar é ter que se livrar

Da bagunça que acontece

Na falta de amor


E quando não se ama

A gente não tem desculpa

Pra chorar no ombro alheio

Pra dizer que tem receio

De afundar no cobertor


E as pessoas por aí não vêem

Que mal amar não é problema

Problema mesmo é não ter amor nenhum

domingo, 3 de abril de 2011

O barco














Se barco fosse,
do mar seria
A ir sem amarras
no balançar

Se há vento,
flutua.
Força o motor
quando não há

Se barco fosse,
as águas serviam
como um caminho
fundo

É levantar âncora,
romper com a terra
e, se preciso,
aprender a remar

domingo, 13 de março de 2011

Não chore

Tendo ido
que vá
não volte
não chore
não queira

Não se zangue
ou estremeça
Que é sua força
que ecoa em mim
o desejo de não
parar mais

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

De onde vem saudade

Eu insisto.
De onde vem força, não sei
De onde vem vontade
De onde vem saudade
De onde vem

Eu resisto.
Onde se esconde a maldade
O medo, a dúvida
de se querer bem

Eu desisto.
Não sei porque a cidade
Que é sinônimo de felicidade
Não tem lugar pra mim

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dou a mim o benefício da dúvida
Que, de insegura, já basta minha solidão
Inquieta
Não sabe se vai
Não sabe se fica

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Frio de pétala

Do frio que se fez alma
Que, de alma, se fez flor
E, de flor viva, murcha
Caída sobre as pétalas secas

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Primeira semana: Brighton, Londres, a escola e os colegas

Brighton não é uma cidade grande e tudo acontece no centro. Essa, pelo menos, foi a minha primeira impressão daqui. Minha escola fica numa localização ótima! Bem pertinho do píer e do centrão, onde tem as lojas, restaurantes, bares, boates, teatros, cinemas e o shopping (minúsculo, coitado!)...enfim, tudo. J

Estou gostando de St. Giles (a escola). Minha classe é bem legal. Somos quatro brasileiros: eu, Alessandra (SP), Renata(RJ) e Pedro(RJ), três coreanas (não vou MESMO tentar escrever os nomes, já que eu quase não sei como falar!), uma ucraniana (Diana) e uma turca (também não sei como escreve o nome dela). As aulas são divertidas e tenho a sensação de estar aprendendo coisas novas todos os dias, o que é muito bom! Consigo acompanhar bem, os professores são pacientes, é ótimo.

Todo mundo fala que aqui tem vááários pubs legais, mas eu só fui pra um até agora, o King and Queen´s. É massa, mas eu não sou lá uma super conhecedora de cervejas estrangeiras, então, toda vez que vou, arrisco uma nova! A que mais gostei até agora é uma meio marronzinha, chamada New Castle... delícia! Fui lá ontem, por sinal, e tava rolando um encontro mega engraçado. Esse pub tem um anexo que é um salão, e eles alugam pra qualquer evento. Ontem foi um (como apelidei) encontro viking-nerd. Simplesmente, tinha uns 20 caras grandes, barbudos, cabeludos jogando algo que parecia RPG. Tinha uns jogando cartas (lembravam Magic) e outros usando bonecos numas maquetes super legais que simulavam tipo um cenário medieval, mas rural. Não sei explicar, mas tava engraçado e interessante ao mesmo tempo. Queria ter ido lá perguntar o que exatamente eles estavam fazendo, mas fiquei com medo e com vergonha! Rsrs

Esse é o King and Queen´s e é, também, a rua da minha escola.

Fui a Londres neste fim de semana. Parecia sonho quando saí da Victoria Station e dei de cara com a agitação da cidade bem na hora do rush. Já cheguei chegando, né? Na primeira noite (sexta) fomos jantar num restaurante vietnamita. Estranho, mas gostoso. Comemos um macarrão duro (era meio fritinho, sei lá) com legumes, molho de soja, gengibre e frutos do mar. Ainda rolou tipo umas fajitas com um molho agridoce e carne de pato! Gostei mais da entrada do que prato principal.

No sábado passeamos num mercado de rua muito legal. Comprei um casaquinho de 5 libras e ganhei uma bota velha de graça, que, por sinal, já quebrou o salto! Hahaha De noite fomos num pub com karaokê, mas tava tão lotado que, quando a gente chegou, eles já tinham encerrado os pedidos para cantar. Ficamos só tomando umas cervejas em pé, no bar super apertado e ouvindo o povo cantando ma-ra-vi-lho-sa-men-te bem. Mas foi divertido!

O domingo foi o dia da correria! Compras, Big Ben, Camden Town, Abbey Road. Quase perdi o trem de volta pra Brighton, mas, no final, deu (quase) tudo certo. Só peguei o trem que parava na estação errada e tive que pegar um taxi pra vir casa, sendo que a outra estação fica a DOIS MINUTOS ANDANDO de onde eu moro.

Ontem no King and Queen´s. Todos brasileiros, menos a coreana na esquerda, o coreano que tirou a foto e o árabe com os braços pra cima.

De volta a Brighton, de volta à “rotina”. Agora estou com a cabeça a mil planejando as viagens que quero fazer! Pretendo estar, na semana que vem, toda agendada. UEBAAAAA!

domingo, 2 de janeiro de 2011

I´m here!

Cheguei!

Depois de todo o medo, ansiedade, neve, terrorismo, chuvas fortes...enfim, Brighton! A viagem foi super tranqüila. Aeroporto vazio (vazio no geral porque meu vôo bombou!), vôos pontuais. Saí de Salvador na hora certa e cheguei em Brighton na hora certa, sem desvios pelo caminho.

Em Lisboa, levei mil a zero do telefônico público. Devo ter enlouquecido minha mãe de ansiedade por isso, mas, pelo amor de Deus(!), eu nunca vi um telefone tão complicado na minha vida. Tentei, juro, mas não deu. Meu QI não foi suficiente.

Quando cheguei na imigração inglesa meu coração disparou e eu tremia feito vara verde. Esqueci várias palavras, travei, o inglês não queria sair. Mas no final deu tudo certo, como vocês podem perceber. O rapaz disse OK e eu fui correndo buscar minha mala, que, GRAÇAS, chegou numa boa em minhas mãos.

A despedida no aeroporto de Salvador

Desembarcando, já dei de cara com um barrigudinho de bochecha rosa sorridente segurando uma plaquinha com meu nome. Era o motorista que ia me trazer de Londres pra cá. Gente boa e, o melhor, não era conversador! Eu bem vim dormindo (num carro maravilhoso, mega espaçoso, surreal de lindo – claro que não sei o nome) durante a viagem que durou, segundo ele, 1h e 5min. Vale ressaltar o quanto é esquisito alguém dirigindo no lado direito do carro.

A rua em que vou morar aqui parece coisa de filme (momento baiana tabaroa)! As casinhas todas lindinhas, parecidinhas, arrumadinhas. A de Anne, minha host, é a menor de todas, mas de muito bom gosto e super aconchegante!

Ela já me recebeu com um sorriso no rosto e um gritinho de surpresa com o tamanho da minha mala! Tivemos que pedir socorro ao filho dela, James, para subir com a bagagem até meu quarto. A casa é bem pequena, como eu disse. No andar de baixo tem-se apenas um corredor estreito, a cozinha e uma sala com uma mesa de jantar de 4 lugares e uma lareira. No segundo andar estão os 3 quartos (“meu”, de James e de Anne) e o único banheiro da casa.

Como eu não sou boba nem nada, já tratei de pagar o primeiro mico da viagem (o do telefone não conta porque ninguém viu)! James e Anne me deram a senha do WiFi daqui para que eu pudesse falar com vocês, avisar a família que eu cheguei e que estava viva. Digitei a senha umas mil vezes e nada...sempre aparecia que a senha não era correta. Cheguei até a conectar através da rede de alguém que não botou senha, mas era horrível!

Cansei de tentar sozinha e fui pedir ajuda. James veio com sua boa vontade:

- I need some help. I think there´s a problem with the key…

- Are you putting the right key?

-Yes! Let me show you… (e digitei a senha novamente)

-Hum…Let me see… Ops, Láis (eles falam meu nome quase certo, só que acentuam o "a" ao invés do "i"), you put 6 instead of 7 here!

-Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh. OK. (cara de idiota)

Mais tarde sentamos os três na mesa para o jantar. Anne me chamou dizendo que a SOPA estava pronta. Quando cheguei na mesa, descobri que o que eles chamam de sopa, eu chamo de macarrão ao molho bolonhesa. Mas o importante é que tinha salada na mesa (adorei saber disso!) e que estava tudo uma delícia!!! Entretanto, fiquei tímida, comi pouco e agora estou com fome de novo.

Meu quarto é pequeno, mas é ótimo. Já terminei de tirar as coisas da mala e arrumei um cantinho para todos os meus trens. Já falei com a família, alguns amigos, com meu primo (vou visitá-lo em Londres na sexta. Passarei o fim de semana com ele! UEBA!).

Olha os casacos devidamente pendurados!

Agora é dormir pra tentar recuperar as energias. Estou um caco! Sobre o frio, não tenho muito o que dizer...não estive na rua e dentro de casa a temperatura é bem mais agradável (apesar de eu ter esquecido de perguntar a Anne como ligo o aquecedor do meu quarto e de agora o frio estar começando a piorar).

Amanhã vou passear. Vou aproveitar que é feriado nacional aqui na Inglaterra e dar uma volta pra conhecer alguns lugares mais próximos, descobrir o caminho para a escola (Anne, fofa, me deu um mapinha, mas eu não entendo nada. rsrs) e passar na estação de trem para garantir minha passagem para London no fim de semana.

Beijos. Mal cheguei e já estou com saudades.