terça-feira, 5 de julho de 2011

Falar, somente, não significa nada
quando a fala não vem acompanhada
da segurança presente
no tremor da palavra

sau-da-de.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Verdadeiro

Se não mais acreditar,
desculpe.
Não é que faça de mim sagaz
ou que eu queira saber demais
o que ninguém, de fato, escondeu

Eu moro na rua da lamúria.
Eu vivo sempre à procura.
Eu quero mais demais.

E, se achar o que digo exagero,
lembre que aqui, onde encontra aconchego,
reside o medo,
a falta e o desejo
de ser verdadeiro

terça-feira, 17 de maio de 2011


Desprendeu-se, enfim, o botão da roupa.
À mostra, o corpo e a vergonha.


imagem: kurt halsey

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Disparo à maldade

Se disser saber
que vale à pena,
então,
deixa ser o que quiser.
Que, de suspeita,
a gente faz rio, mar.

Mas, sendo semente de medo,
egoísmo e coisas vis,
visto-me de saudade e
disparo à maldade:
vá pra bem longe de mim

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desamor

Há quem reclame

Da falta de ser amado.

Mal sabem eles, ingênuos,

Que, ruim mesmo,

É não amar


Porque não amar é ter que se livrar

Da bagunça que acontece

Na falta de amor


E quando não se ama

A gente não tem desculpa

Pra chorar no ombro alheio

Pra dizer que tem receio

De afundar no cobertor


E as pessoas por aí não vêem

Que mal amar não é problema

Problema mesmo é não ter amor nenhum

domingo, 3 de abril de 2011

O barco














Se barco fosse,
do mar seria
A ir sem amarras
no balançar

Se há vento,
flutua.
Força o motor
quando não há

Se barco fosse,
as águas serviam
como um caminho
fundo

É levantar âncora,
romper com a terra
e, se preciso,
aprender a remar

domingo, 13 de março de 2011

Não chore

Tendo ido
que vá
não volte
não chore
não queira

Não se zangue
ou estremeça
Que é sua força
que ecoa em mim
o desejo de não
parar mais