Apaixonar-se é como andar no escuro. A pessoa nunca sabe onde está andando ou o que vai encontrar pela frente. Quando nos damos conta de que estamos apaixonados é uma delícia. A gente pensa no outro toda hora, todo dia. A gente liga, escreve, espera ansiosamente cada resposta. Admiramos os gestos, o andar, os gostos da pessoa amada. Ela não tem defeitos, brilha!
A recíproca é algo que só passamos a pensar a respeito mais tarde, quando a paixão começa a incomodar. Até um segurar de mãos pode ser o presságio de um amor brotando na pessoa que se ama. A gente vê onde tem e, principalmente, onde não tem. Eufemismos, metáforas e muitos, muitos enfeites são colocados sobre as situações mais corriqueiras do dia-a-dia. Não adianta ninguém falar absolutamente nada, sabemos o que queremos ver, ouvir e saber e nada mais importa. “Ele(a) me ama e ponto final”.
Quando a recíproca é mesmo verdadeira é ainda melhor. Amar e ser amado é uma dádiva! Estar ao lado de quem se ama. Dar e receber carinho.
Mas cuidado! Apostar as fichas numa relação a dois pode ser muito perigoso. A gente vai construindo o futuro no presente, passo a passo, todos os dias, acreditando que aquela felicidade vai durar para sempre. Estar apaixonado é crer na ilusão de ter aquilo que se quer por toda a vida e aqueles que conseguem fazer, dessa ilusão, realidade são raros e abençoados. Achar o oásis no meio das areias não é pra qualquer um, pode apostar. É por isso que, quem o encontra e bebe de suas águas, goza do amor de verdade, assumindo todas as suas conseqüências. Esta é a parte mais difícil de estar apaixonado.
O amor é egoísta, quase sempre. Por mais que se diga que a felicidade do outro é a nossa, o que, no fundo, todos almejam é a felicidade do outro unida à nossa. Ninguém vê com satisfação o sorriso de quem se ama ao lado de um outro alguém que não nós mesmos. Dizer que o ciúme é diferente de orgulho e sentimento de posse e que estes não se colocam, às vezes, acima do amor é balela. A gente ama o outro de acordo com o que queremos para nós mesmos.
Estar apaixonado pode ser ou não um coisa boa. Depende de como direcionamos e encaramos este, que é o mais nobre de todos os sentimentos. Aprender a controlar os impulsos, agir com instintividade, mas sem perder a razão, respeitar, se entregar, perdoar e todas as outras atitudes que o amor exige para que se estabeleça uma relação saudável com alguém, necessita de preparo e dedicação.
Não cobre daqueles que não sabem amar, nem todos nascem com esse talento e, daqueles que nascem, poucos são os que o desenvolvem. Apaixonar-se é fácil, lidar com o amor é complicado. È o amor quem escolhe suas vítimas, portanto não culpe os que não foram escolhidos e nem a si próprio, caso você seja um deles.