terça-feira, 17 de maio de 2011


Desprendeu-se, enfim, o botão da roupa.
À mostra, o corpo e a vergonha.


imagem: kurt halsey

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Disparo à maldade

Se disser saber
que vale à pena,
então,
deixa ser o que quiser.
Que, de suspeita,
a gente faz rio, mar.

Mas, sendo semente de medo,
egoísmo e coisas vis,
visto-me de saudade e
disparo à maldade:
vá pra bem longe de mim

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desamor

Há quem reclame

Da falta de ser amado.

Mal sabem eles, ingênuos,

Que, ruim mesmo,

É não amar


Porque não amar é ter que se livrar

Da bagunça que acontece

Na falta de amor


E quando não se ama

A gente não tem desculpa

Pra chorar no ombro alheio

Pra dizer que tem receio

De afundar no cobertor


E as pessoas por aí não vêem

Que mal amar não é problema

Problema mesmo é não ter amor nenhum

domingo, 3 de abril de 2011

O barco














Se barco fosse,
do mar seria
A ir sem amarras
no balançar

Se há vento,
flutua.
Força o motor
quando não há

Se barco fosse,
as águas serviam
como um caminho
fundo

É levantar âncora,
romper com a terra
e, se preciso,
aprender a remar

domingo, 13 de março de 2011

Não chore

Tendo ido
que vá
não volte
não chore
não queira

Não se zangue
ou estremeça
Que é sua força
que ecoa em mim
o desejo de não
parar mais

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

De onde vem saudade

Eu insisto.
De onde vem força, não sei
De onde vem vontade
De onde vem saudade
De onde vem

Eu resisto.
Onde se esconde a maldade
O medo, a dúvida
de se querer bem

Eu desisto.
Não sei porque a cidade
Que é sinônimo de felicidade
Não tem lugar pra mim

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dou a mim o benefício da dúvida
Que, de insegura, já basta minha solidão
Inquieta
Não sabe se vai
Não sabe se fica